domingo, 3 de julho de 2022

Os caminhos do verão

 

«Somos crianças feitas para grandes férias».
 É um verso de Ruy Belo que a nossa alma sabe. 

Vem o sol, avança sobre os dias uma claridade que já quase ignorávamos, o calor estende-se longamente como um gato preguiçoso, é julho, quase agosto, e mesmo de gravata e afazeres ainda apertados ao pescoço sabemos isso: que somos feitos para outros modos, que pertencemos a outros lugares. Não tem de ser necessariamente uma deslocação para outro país ou uma cidade diferente da nossa. Às vezes tudo o que nos falta é simplesmente caminhar com outro passo. É abrir a janela devagar, tendo consciência de que a abrimos. É reaprender outra qualidade para um quotidiano talvez demasiado deixado às rotinas e aos seus automatismos. É, no fundo, degustar o sabor das coisas mais simples. Pode-se fazer uma inesquecível viagem entregues ao sabor de um fruto, à contemplação de uma paisagem próxima, à sabedoria de uma conversa, ao silêncio de um livro. Sobre este último, acho que todos concordamos com o que escreveu Marcel Proust: «Talvez não haja dias da nossa infância tão plenamente vividos como os que passámos com um livro preferido». Mas a noção de «dias plenamente vividos» é suficientemente aberta para conter a nossa singularidade, as nossas manias, descobertas e paixões.

Há dias voltei a Roma e quase me envergonho de confessar que uma das coisas que mais apreciei foi a sombra. Vi coisas arrebatadoras de beleza, ouvi palavras e música que guardarei no coração por muito tempo…Mas dentro da canícula daquela semana romana, apreciei com espanto e vagar a frescura simples da sombra. De um lado da rua o sol descia como um punhal transparente e implacável, mas da outra parte, numa sensação talvez acentuada pelo contraste, o prazer da sombra era solene e doce como as notas de uma canção assinada por Mozart. Lembro-me que a Lourdes Castro me deu uma vez a indicação de um guia de viagem, salvo erro do século XVIII, que sugeria um périplo por Roma, indicando para cada viela e bairro as horas da sombra. Não têm preço mapas assim. Penso no verão como esse lugar onde as horas estendem, para cada um, uma sombra mais leve.

Acho que a dada altura o mais importante já nem é o que se vê, mas o como se vê. Nesta minha ida a Roma, fui uma tarde ao Museu Etrusco. Havia centenas e centenas de peças. Mas fiquei a olhar o belíssimo sorriso de duas figuras, pertencentes a uma tampa funerária. Para os etruscos a morte era encarada com uma suavidade impressionante. Fiquei sentado diante daqueles sorrisos, sem ter bem a noção do tempo. Claramente não precisava voltar a correr o Museu inteiro (maravilhoso, por sinal). Um sorriso pode ser tão acolhedor como uma sombra. Creio que para cada um de nós há assim uma geografia sentimental, um mapa descontínuo sedimentado ao longo de anos, um conjunto de indicações fragmentárias, retalhos disto e daquilo, que não sendo necessariamente preciosos, são certamente o nosso tesouro. Que os caminhos do verão nos conduzam até ele.

D. José Tolentino Mendonça
In DIário de Notícias (Madeira)
31.7.2011

Evidências das Bibliotecas do Agrupamento

 

Biblioteca Escolar na festa de final de ano da Escola Dr. Nuno Simões



A Biblioteca  Escolar associou-se a este evento com a dramatização do poema   "Trem de ferro" de Manuel Bandeira, por alunos das turmas NS3 e NS4 e com uma brilhante atuação surpresa, de um quadro Camiliano, protagonizada pelo "tio Camilo", Ana Plácido e a criada ( Sr. Reinaldo Ferreira, professora Cláudia  e assistente operacional D. Conceição). Foram momentos que nos permitiram recuar no tempo e relembrar ambientes literários da obra de Camilo Castelo Branco.
Foram ainda entregues os prémios aos melhores leitores do ano letivo 2021/ 2022, as alunas Margarida Meira, da turma NS2, do primeiro ciclo  e  Débora Gauna, da turma 504, do segundo ciclo. Os alunos da turma NS4, Carolina Carvalho e Gonçalo Gonçalves foram premiados com  duas menções honrosas resultantes da participação  no Concurso Nacional " Uma Aventura Literária " Parabéns a todos os intervenientes por estes momentos fabulosos.

Atividades de final de ano na Escola de Louredo

 

No dia do início do solstício de verão, foi dia de premiar os alunos que se distinguiram no Concurso de poesia e nas atividades desenvolvidas ao longo do ano.
Parabéns a todos os participantes, alunos e professores, que aderiram sempre  com muito empenho aos desafios propostos. Os pequenos poetas divulgaram pelas salas as suas criações, como forma de motivação para novos trabalhos.

terça-feira, 14 de junho de 2022

Concurso de Escrita Criativa "tODoS por um mundo melhor"

Já são conhecidos os textos vencedores da 3ª edição do concurso de escrita criativa “tODoS por um mundo melhor”, uma iniciativa dirigida aos alunos do 2º e 3º Ciclo do concelho de Vila Nova de Famalicão, promovida pela Rede Municipal de Leitura Pública de Famalicão, no âmbito do projeto “ODS: juntos mudamos o mundo".

Os textos vencedores selecionados foram, na categoria do ODS 7 “Energias Renováveis e Acessíveis”, a turma 7ºG da EB2,3 Bernardino Machado, na categoria do ODS 8 “Trabalho Digno e Crescimento Económico”, a turma 704 da Escola Secundária D. Sancho I e, por último, na categoria do ODS 9 “Indústria, Inovação e Infraestruturas” a turma 501 da EB Dr. Nuno Simões.

Nesta terceira edição, inscreveram-se um total de 45 turmas dos Agrupamentos de Escolas de Ribeirão, Gondifelos, D. Maria II, D. Sancho I, Camilo Castelo Branco e Padre Benjamim Salgado e da Didáxis - Cooperativa de Ensino de Riba de Ave.


in http://www.bibliotecacamilocastelobranco.org/?1&it=news&mop=3&co=7684